Como os jovens CEOs estão lidando com os desafios de cultura em startups

por ANDREZA LEMOS MENDES em 08/11/2018 às 17:53

O mercado tem mudado muito de uns anos pra cá, por causa da transformação digital. Novas empresas cada vez mais inovadoras e disruptivas estão surgindo, geralmente comandadas por líderes jovens e que pensam fora da caixa.

Em meio a essa nova era das empresas com alto e rápido crescimento, quais são os novos desafios dos CEOs para fazer com que o negócio tenha sucesso e, ao mesmo tempo, seja referência por ter equipes comprometidas e alinhadas à cultura da empresa?

A resposta não é tão simples, já que os desafios são constantes. Os jovens CEOs têm que se preocupar não só com estratégias para que os números cresçam, mas também com a gestão de equipes que são formadas por pessoas com novas habilidades e que pensam de forma diferente.

Lucro X felicidade

Uma pesquisa da PwC, a 20th Global CEO Survey (20ª Pesquisa Global de CEO), mostra que a globalização e os avanços tecnológicos estão exigindo dos CEOs um novo estilo de liderança. Eles têm que ser capazes de conseguir navegar com sucesso pelas ondas da tecnologia, sem esquecer do lado humano.

Toda empresa precisa lucrar. Mas, como garantir que os colaboradores deem resultado e se mantenham motivados e felizes? Esse é um dos desafios mais difíceis das empresas com rápido crescimento, como é o caso das startups.

A empresa MundiPagg, que está entre as “30 PMEs mais amadas pelos seus colaboradores em 2017”, de acordo com o site Love Mondays, elencou alguns fatores que não podem faltar nas empresas atuais. São eles:

  • compartilhamento da cultura - a cultura da empresa deve ser passada ao funcionário na prática para que ele se desenvolva e se sinta preparado para sugerir e tomar decisões. Assim a empresa cresce e ele cresce junto, fazendo parte do sucesso;
  • qualidade de vida - o funcionário já não busca mais somente os benefícios essenciais em uma empresa, como vale-transporte, alimentação e plano de saúde, por exemplo. Ele quer exercer suas tarefas de forma mais autônoma, sem uma rotina fixa. Além disso, também busca uma empresa que possua uma infraestrutura confortável, com áreas de lazer e descanso;
  • hierarquia horizontal e reconhecimento - a empresa moderna tem um tratamento horizontal com seus funcionários, permitindo que a equipe tenha liberdade de dialogar sobre tarefas e projetos. Nesse caso, o líder acaba sendo um apoio na tomada de decisões, ao invés de apenas cobrar por resultados;
  • confiança - o funcionário precisa acreditar no que faz e que está no lugar certo. Ele precisa ter confiança na empresa e nos gestores para que possa aprender e correr atrás dos seus objetivos, e também para que seja reconhecido por suas conquistas.

A felicidade no ambiente de trabalho também vai depender muito do funcionário, que deve ser adaptável às mudanças rápidas e estar disposto a aprender constantemente e compartilhar conhecimentos.

Autonomia X regras

Para atingir o sucesso, as empresas inovadoras precisam ter um bom planejamento e regras bem definidas para que todos os setores estejam alinhados e funcionem. Dentro desse planejamento, é preciso que tais regras sejam cumpridas, dando autonomia para que os funcionários possam participar da construção dos processos da empresa.

E como garantir o equilíbrio? Em primeiro lugar, o funcionário precisa entender a cultura da empresa. Com isso, ele poderá desempenhar as suas atividades, alinhado aos objetivos da mesma.

O líder tem que estimular o funcionário a ter mais liberdade em tomar decisões e mostrar a ele que possui a capacidade e o conhecimento necessário para ter essa autonomia. Investir em treinamentos sobre o funcionamento da empresa e oferecer a oportunidade de aprendizado e desenvolvimento constante, faz com que o funcionário fique motivado a sempre melhorar e a crescer mais como profissional.

A importância da cultura para a empresa

Você já deve ter reparado que o sucesso das empresas atuais parte muito da cultura empresarial, não é mesmo? Mas o que é a cultura e quem é responsável por ela?

A cultura empresarial é um conjunto de valores, hábitos e crenças da empresa. É a partir dela que são definidos os caminhos e estratégias que a empresa deve seguir. A cultura é criada ao longo do tempo, não é feita de um dia para o outro.

O líder deve deixar claro para o funcionário os valores e princípios da empresa desde o início das atividades do profissional. Entendendo a cultura empresarial, o funcionário saberá como agir no ambiente corporativo, e como e onde pode chegar para ajudar no crescimento do negócio.

Case de sucesso: Rock Content

Uma empresa que vive a cultura empresarial no seu dia a dia, é a Rock Content, uma das maiores empresas de Marketing de Conteúdo do Brasil. Com apenas cinco anos de atuação, já tem cerca de 1.000 clientes, mais de 160 funcionários e conta com 10 mil freelancers de todo o país.

Segundo um dos sócios fundadores da empresa, Vitor Peçanha, a cultura da Rock Content é o reflexo da maneira como ele e os outros sócios pensam e agem desde o seu início.

“Houve um momento em que essa cultura precisou ser formalizada e acredito que essa tenha sido nosso maior desafio. Nesse momento, tivemos que traduzir em palavras claras e motivadoras, tudo aquilo que já fazia parte do nosso DNA, o que requereu um bom trabalho de copywriting e alinhar alguns pontos. Ao final, chegamos aos nossos três princípios (aprender, ensinar e resolver) e desde então, tocamos a empresa com eles sempre em mente. Hoje nosso maior desafio é conseguir fazer com que um time com mais de 160 pessoas esteja 100% alinhado com nossa cultura”, explica.

De acordo com Peçanha, a empresa segue uma cultura de transparência com feedbackshonestos e assertivos com todos os colaboradores. Além disso, a empresa procura dar liberdade aos colaboradores para que tomem iniciativas para melhorar o serviço. Para ele, o maior entrave para que uma pessoa não faça parte da equipe, é não estar de acordo com a cultura da empresa.

“Somos uma startup e por definição, existem poucas pessoas capacitadas para fazer o que fazemos e, por isso, investimos muito em treinar os profissionais. Habilidades podem ser ensinadas, mas caráter e perfil são outra história”, complementa.

Rápido crescimento x desenvolvimento pessoal

Todo profissional deseja crescer dentro de uma empresa, ainda mais quando ela está se desenvolvendo rapidamente e atingindo patamares mais elevados. Nesse momento, o líder deve prestar atenção em como lidar com a expectativa dos funcionários quanto à sua carreira, para que possam sentir-se parte do processo.

Empresas que estão mais consolidadas já possuem um plano de carreira traçado para os funcionários. Já as empresas em fase de expansão e que crescem rápido, como é o caso das startups, é mais difícil prever como a empresa estará em alguns anos para estipular um plano de desenvolvimento seguro aos funcionários.

Em um artigo publicado pela Endeavor Brasil, Ana Laura Andrade, líder de Talent Strategy na Mercer, diz que “enquanto as empresas consolidadas podem apresentar uma escada para o profissional subir, nas de alto crescimento é o próprio funcionário quem constrói os degraus”.

“A prática mais genuína é falar para cada funcionário já contratado e em todas as entrevistas: olha, eu não tenho uma trilha certa para te dar, mas temos um mundo de oportunidades pela frente. Quanto mais crescermos, mais você cresce com a gente e construímos juntos um negócio de impacto”, afirma.

O líder deve mostrar ao funcionário qual é o cenário atual e quais os planos para o futuro da empresa. Dessa forma, ele pode saber para que lado seguir dentro do negócio. É importante que o líder e os gestores também saibam como o funcionário pensa, e quais são suas expectativas ao longo do tempo, não somente quando ele começa na empresa.

Geração Millennial: como gerir um ambiente de trabalho millennial?

Empresas em alto crescimento são formadas, em sua maioria, por jovens da geração Y, ou os chamados Millennials. Muitas vezes rotulados por serem inconstantes, os jovens Millennials já chegam ao mercado de trabalho sabendo muito bem o que querem.

Esses jovens valorizam a flexibilidade no ambiente de trabalho e a qualidade de vida, dentro e fora da empresa. Uma pesquisa divulgada pela Indeed, ferramenta online para busca de empregos, revelou que os jovens entre 16 e 24 anos enxergam a flexibilidade no local de trabalho como a principal prioridade em um emprego, mais até que a remuneração e benefícios.

É aí que entra o desafio de CEOs e gestores para proporcionar um ambiente de trabalho atrativo para essa geração. As empresas devem utilizar as facilidades das novas tecnologias, investindo em ferramentas que facilitem o trabalho, como arquivos e documentos compartilhados, videoconferências que permitem ao funcionário trabalhar no modo home office, por exemplo, utilização de chats e fóruns, entre outras.

Mais uma vez, aqui entra a sugestão de dar mais autonomia ao colaborador para que desempenhe suas funções. Estimular a criatividade e o aprendizado do jovem também deve estar inserido na estratégia da empresa.

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ANDREZA LEMOS MENDES

Porto Alegre, RS, Brasil

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